segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Capri


Passagem de aliscafo ida e volta de Sorrento à Ilha de Capri: €25,00

Passeio de barco ao redor da ilha: €13,00

Passear de lambreta por toda a ilha: não tem preço.

Isso mesmo – alugamos um “motorino” e passeamos por Capri. Mas antes, vamos por ordem na casa.

Ontem à noite decidimos ficar mais um dia aqui em Sorrento, e reservar a manhã de hoje para duas coisas: pequeno descanso e lavar roupa. Levantamos, tomamos café, e nos dividimos. A Fátima separou o máximo de roupa possível e pegou a navetta (micro ônibus...) do hotel e foi ao centro à cata de uma lavanderia rápida. Eu voltei ao quarto para fazer alguns projetos e passá-los por email para a fábrica. Deu tudo certo. Por volta das 13 a Fátima voltou toda alegre por ter conseguido lavar e (quase) secar a roupa, e eu tinha passado todos os email`s que precisava. Pegamos o carro e fomos então até o porto para pegarmos o barco de 13:50. Por volta de 14:30 descemos na ilha, demos uma pequena olhada nas coisas e decidimos comprar o ingresso para o passeio em volta da ilha – saída paras as 15. Fomos então à procura de algum lugar para comprar um sanduíche para o almoço. Foi quando vimos um local de aluguel de motonetas. Olhamos um para o outro e decidimos – na volta do passeio de barco vamos ver como é que funciona! Não tínhamos ainda terminado de comer os nossos sanduíches quando tivemos que levantar da mesa e ir para o embarque. Mais 2 minutos e ficaríamos “a pé”.

Vocês me desculpem, mas esse passeio foi impressionante. Ô lugar danado de bonito. Águas totalmente transparentes, verdes ou azuladas, dependendo da luz. Infelizmente não deu para entrarmos dentro da famosa Gruta Azul, pois não havia mais lugar disponível, mas o “todo” mais do que valeu a pena.

Pouco antes das 4 estávamos de volta ao porto, e fomos atrás do “motorino”. O preço era acessível. Alugamos uma lambretinha amarela por duas horas. Se não fosse isso, nosso passeio em Capri teria sido muito mais limitado. Primeiro, subimos o morro (com uma certa dificuldade, a não mais de 30 km/h – a lambreta era um cinquentinha amarela, dois tempos, e o piloto há muito tempo não guiava nada de 2 rodas, logo...). Paramos em Anacapri, a segunda cidade da ilha. Muito bonitinha, com montes de lojas chiques (e outras nem tanto). Tomei um sorvete, a Fátima comeu um canoli, e voltamos ao estacionamento para pegarmos a estrada de novo. Fomos então até o Farol de Punta Carena. Rápida parada, e novo destino: o centro da cidade de Capri. Essa sim é foda. Trocentas lojas de grifes (quase todas italianas) – Prada, Valentino, Salvadore Ferragamo – diga a grife e lá estará a loja. Já era quase 18:30 – hora de devolvermos o “motorino” para não perdermos o barco da volta. Aí veio o susto – quando peguei o bilhete, estava escrito que era para a viagem de 17:20. Fomos assustados até a bilheteria, quando a atendente nos tranquilizou. Podíamos usar o bilhete para o barco das 19:00. Ufa.
Não era ainda 19:45 quando chegamos ao hotel. A Fátima foi tomar um revigorante banho de banheira e eu vim aqui para atualizar nossa viagem. Daqui a pouco sairemos para jantar. Boa noite a todos.

De Roma a Sorrento

A idéia hoje era sair cedo de Roma em direção a Sorrento, com algumas paradas no caminho. A primeira delas era em Frascati. Era, mas não foi. Infelizmente a saída da autoestrada para Frascati estava fechada, e para pegar a outra a volta seria muito grande. Bye bye Frascati.

Próxima parada, Anagni. Aí deu certo – a saída “estava lá”. Fomos subindo em direção ao centro histórico quando vimos uma plaquinha dizendo área para pedestres. Como gato escaldado tem medo de água fria, estacionamos imediatamente e seguimos a pé. Poderíamos desta ver ter ido de carro sem nenhum problema. A atração aqui é a Catedral de Santa Maria. Eu achei que podíamos ter “passado” essa, a Fátima discorda.

Vamos pra frente. Agora o alvo é Montecassino. Chegando perto da saída para a cidade, já vislumbrávamos o que nos esperava: um mosteiro enorme no topo de um morro também enorme. Lá fomos nós pela tortuosa estradinha, subindo cada vez mais, pensando em filmes da segunda guerra em que os “comandos” vão escalando aqueles morros para tirar os nazistas lá de cima. E era isso mesmo, porque os nazistas efetivamente ocuparam a abadia durante a guerra. Após 500 metros de subida (500 metros na vertical...) estacionamos e lá fomos contentes e confiantes para a nossa visita. Ops – falha nossa – chegamos lá doze e trinta e dois, e a abadia fecha para visitas doze e trinta, para só reabrir 15:30. Que mico. Estava no guia, e nem a Fátima nem eu nos tocamos disso. Em todo caso, só a subida do morro já valeu a pena.

Descemos muito jururus, e pegamos a estrada rumo a Nápoles.
Chgera lá foi muito fácil. O duro foi ficar lá. Pelo menos em parte dela. Prá variar entramos numa zona de ruazinhas de meio metro de largura, nas quais os loucos dos napolitanos conseguem fazer passar ao mesmo tempo uma jamanta, doi carros e mais 35 motonetas. E 35 motonetas “guiadas” por 35 malabaristas malucos. Impressionante. Chegou um momento em que estávamos vercados como se fossemos o mel e as motonetas as abelhas. Para cada lado que olhássemos, lá estavam pelo menos 3 dessas coisas vindo para cima da gente. Seguindo uma placas indicativas, entramos em mais uma rua. E não é que veio um carro de polícia numa teórica contra-mão? Tive que dar ré e tudo (lembrem-se, dar ré cercado por um enxame de lambretas... não é fácil). Desisti daquele negócio. Pegamos a rota de saída. Napoles ia ficar para a história. Foi quando vi a entreda de um estacionamento público e entramos. Comk €1 poderíamos ficar umas duas horas.

Descemos, vimos o Castello Nuvo (ficamos pensando com deveria ser o “velho”, se o “novo” era assim...) e seguimos para a Galleria Umberto I. No passado deve ter sido lindíssima. Hoje está ultra decadente, com imigrantes afro-italianos vendendo bolsas expostas no chão. Pelo menos já está em processo de restauro. Uma obra daquelas merece uma melhor sorte. De lá demos uma olhada na fachada do Teatro San Carlo – o maior da Itália e fomos para a Piazza Plebescito, onde está o Palazzo Reale e mais uma outra construção enorme à qual o guia não fazia referência e ficamos sem saber.

Descendo uma ruazinha, chega-se ao mar e tem-se uma boa vista do Vesúvio.
Voltamos e fomos à procura da Pizzaria Brandi, onde supostamente foi inventada a pizza Margherita. O Endereço dela não tinha no GPS porque ela fica numa pequena ladeira onde não passa carro (não passa carro, porque as motonetas passam sim – passou uma enquanto almoçávamos), e é dividido em duas partes – uma em cada lado da ladeira. Óbvio, pedimos duas pizzas Margherita! Com isso, estávamos prontos com Nápoles.

Pegamos o carro e fomos para Pompéia. Rapidinho estávamos lá. Aquilo é impressonate (me desculpme por tanto impressionante, mas esse país...). Visitamos quase tudo que está acessível. Alguns dos pontos que normalmente estão abertos à visitação estavam fechados para trabalhos de restauro e pesquisa. O que mais lamentamos foi que os banhos estavam fechados. Eu estive lá da primeira vez que vim para cá e é muito interessante mesmo. Era quase 6 horas quando acabamos nossa visita.

Novamente no carro e fomos então em direção a Sorrento. Havia duas possibilidades – pela autoestrada ou pela costa. Escolhemos o caminho pela costa. MUITO lindo, mas como em qualquer lugar, domingo, fim de tarde é igual a congestionamento de gente desfilando de carro. Levamos um tempão, mas chegamos sãos e salvos. Nos instalamos no maravilhoso Parco dei Principi, e fomos a pé até o centro de Sorrento para jantarmos no Ristorante Don Vincenzo. Fim de noite!

Roma genérica

Hoje o dia amanheceu lindo. Até enganou – fui de manga curta e passei frio. Pegamos o Metro até Termini, e de lá direto para a Igreja de Santa Maria Maggiore. Outra igreja foda. Saímos dali e fomos em direção à San Pietro in Vincoli, onde se encontram as supostas correntes usadas para prender São Pedro, além de... Parla! Sim, Moisés. Para chegarmos na igreja, uma pequena escada de trocentos degraus, que as panturrilhas da Fátima odiaram. Escadas estão virando um trauma. Mas, chegando lá tudo compensa. Moisés é absurdamente maravilhoso. Pena que só se vê de longe (acho que mais de 5 metros).

Como ontem com a chuva não tínhamos visto nem o Foro di Augusto nem o Foro Traiano, resolvemos descer até lá. Também agora vimos deperto a Colonna Traiana. De lá, fomos ver a Fontana di Trevi sem chuva. Mais gente ainda. Tomamos um sorvete sentados pertinho da fonte, e levamos uma educada bronca de uma guarda – é proibido comer naquela área.

Mais caminhada, agora até a Piazza di Spagna, que tinha que ser vista de dia. Tiramos a obrigatória foto sentados na escadaria, e subimos-la (ai minhas batatas da perna, disse a Fátima) para irmos até o Museo Borghese, que fica dentro da... Vila Borghese. Um acervo de inúmeras obras de Bernini. Infelizmente, só se visita mediante reserva – nenhum guia tinha nos advertido disso.

Continuamos então até a Villa Giuilia, onde fica o Museu Nacional Etrusco. A primeira providência foi o almoço, na cafeteria da própria vila, dessa vez calma e sossegada, além de melhores paninis (e quentes mesmo, não como os de ontem). Mais ou menos uma hora depois estávamos na rua de novo, para irmos até a Piazza Navona de dia. Vamos andando até acharmos um táxi, pensamos nós. O primeiro que encontramos perguntou aonde íamos. Não quis nos levar até lá. O segundo, bem, o segundo, não chegou nunca. Caminhamos os quase 3 km até lá. Rápida parada no Ara Pacis, mas os €6,50 por pessoa nos desistimularam. O dito cujo fica dentro de uma construção moderna, horrível, que foi feito para proteger o altar das intempéries.

Mais um pouco de bater pernas e chegamos na Piazza. Mais fotos, mais sorvete, um pequeno “show”de um animador de platéias muito engraçado, mais uma sentadinha ao lado de uma das fontes, e resolvemos então voltar para o hotel. Para quem já tinha virado Roma do avesso hoje, o que seriam 2 quilômetros a mais? Nada. Descansadinha e saímos para jantar.

Roma Antiga

Hoje o tempo nos pregou uma peça. Quando saí cedo para a internet, estava uma leve e intermitente garoa. Durante o período que fiquei lá, meio que firmou, e quando voltei ao hotel não mais garoava. Que sorte, pensei.

Pegamos o Metro e fomos até o Coliseu. A saída da estação já é bem interessante. Você sai da escada e dá de cara com aquela “coisa” ali no meio da rua! O tamanho impressiona. Uma pequena fila de uns 20 minutos para compra de ingresso e conseguimos entrar. Durante a visita, começou novamente a garoar, mas algo totalmente palatável... Garoava um pouco mais forte quando decidimos que era hora de irmos ao Palatino.

Sem fila. O ingresso para o Coliseu dá direito à visita ao Palatino também. Entramos já sob uma garoa forte. A primeira placa que vimos dizia “Casa di Augusto”. Fomos atrás dela, passando por várias partes da pequena e humilde casa de Augusto. No meio do caminho tinha um museu. Tinha um museu no meio do caminho. Entramos e após uma rápida visita saímos para a nossa busca da Casa di Augusto. Já não era mais garoa, mas uma chuva fraca. Quando vimos uma “nova” fila, concluímos – é a Casa di Augusto. As placas diziam que devido a condições essas e aquelas, só era permitida a visita de 5 em 5 pessoas. Como a chuva fraca resolveu se trasnformar em chuva forte, ficamos, pois a fila era coberta. No que entramos em baixo da parte coberta, caiu o mundo. Ainda bem que estávamos abrigados. Quando chegou a nossa vez ainda bem que a chuva tinha amainado, pois o percurso final até a Casa di Augusto não era coberto. Primeiro, tinha que subir (no tempo...) uma escada para ver (pelo vidro...) um quarto com os afrescos da época ainda parcialmente conservados. Descemos para então entrarmos dentro da casa. Visita-se mais duas salas e é tudo. Se não fosse pela espera abrigados da chuva, teríamos ficado muito brabos.

Saímos das salas do Augusto e fomos atrás de outras atrações do Palatino, mas a chuva apertou de novo. Entramos no primeiro lugar coberto que achamos. Como estávamos com apenas um guarda-chuva (um que a Fátima tinha comprado em Milão) andávamos meio que um de cada lado, pois eu estava usando minha japona “impermeável” que comprei em Indianapolis algum tempo atrás. Quando tirei a jaqueta na área coberta, pudemos ver que aquele friozinho que eu estava sentindo nos braços e nas costas não era bem um friozinho, mas a chuva que tinha passado pelo “impermeável” e molhado minha camisa. A Fátima disse que eu estava encharcado, mas isso foi um pouco de exagero dela. Agora, adivinhem quem foi que apareceu nessa ruína coberta? Um doce para quem adivinhar. Ganhou! Isso mesmo – um camelô vendendo guarda-chuvas. Compramos um novo para mim (€5).

A chuva não passava, e não podíamos ficar marcando touca em Euros. Com o reforço do novo guarda-chuva, seguimos caminho. Sem querer, acabamos saindo do Palatino e entrando no Foro Romano. Verdadeiramente impressiona imaginar tudo aquilo durante o seu esplendor. Construções imensas, colunas altíssimas. O passeio prossegue até a escada que leva ao Campidoglio, onde imediatamente entramos nos Museus Capitolinos. Ambiente aquecido, tirei a japona e logo logo a minha camisa estava seca.

Aproveitamos também para fazermos o lanche do almoço. Êta lugarzinho barulhento e de gente (atendentes) mal humorados. Faziam questão de fazer tudo com o máximo ruído. Não colocavam o copo na bandeja, batiam o copo. Afinal, sem barulho não devia ter muita graça. Não faz mal. Vamos prá frente. Como já somos ratos de museu, olhamos só as coisa mais importantes do acervo (não conhecemos tanto assim, seguimos as indicações dos guias de viagem...). Saímos, mais uma olhada na estátua equestre de Marco Aurélio que fica no centro da praça, uma última olhada nos piso com desenhos geométricos de Michelangelo, e descemos a escada (também do p. do Mich – ôô cara f.).
Chegando lá embaixo, saímos pela direita e fomos até o momumento em homenagem a Vittorio Emanuele II. Aquele que tem gente que chama de bolo de noiva e que eu acho que olhando de cima parece uma máquina de escrever. No meu modesto parecer, não combina com Roma e devia ser demolido. Do outro lado da rua está a Coluna de Trajano. Só fotografamos de longe. Chuva atrapalha.

Mesmo com a dita cuja da chuva, fomos andando até a Fontana di Trevi. Não interessa o tempo – estava cheia de gente (inclusive nós, ora!). Jogamos a tradicional moedinha! Posso dizer que funciona. Quem a joga realmente volta, pois afinal, há uns oito ou nove anos atrás, quando vim para cá com o pessoal da Abirochas, joguei a moedinha da sorte, e cá estava aqui eu de novo.

Seguimos viagem, ainda debaixo de chuva, em direção ao Pantheon. Em certo ponto do trajeto, fiz um zig onde deveria ter feito um zag (me desculpem por essa, mas era inevitável), e quando vimos estávamos na frente da Piazza Colonna, que por sua vez fica na frente da Galleria Alberto Sordi. Até que foi bom, pois era mais um lugar coberto e aquecido. Tomei um chocolate quente (capucino para a Fátima), demos ums descansadinha, e saímos de novo agora na direção certa do Panthen.
Essa é outra construção que impressiona (o que não impressiona aqui nessa cidade?). Construído em 118 DC, acho que está até mais bem conservado que a casa da Ivete (essa “dica” é apenas para iniciados...). Com a chuva, a parte central estava isolada. Lembrem-se: o Pantheon tem uma abertura na sua cúpula, o “óculo”, com uns 9 metros de diâmetro.

Como os cara aqui são foda, e quem está na chuva é para se molhar (ah não – mais uma dessas...), resolvemos andar até a Igreja de Santo Ignácio de Loyola. Ela tem um teto com uma pintura “ilusionista”. A perspectiva se ajusta à tua posição. Finalmente, pegamos um táxi e voltamos ao hotel.

Subimos, peguei o computador e fui direto internetear (a chuva tinha passado – agora estava só uma leve garoa). Na volta, passei na frente de uma loja de cutelaria e resolvi entrar. Comprei um canivetinho suíço para a Fátima, igual a um que ela teve até quando fomos a Buenos Aires alguns anos atrás e ficou na segurança. Espero que esse dure pelo menos o que aquele durou.

A chuva tinha passado totalmente. Resolvemos sair para jantar num lugar pertinho do hotel que tínhamos visto ontem e parecia muito charmoso. Parecia. Chegamos na frente e demos meia volta. Continuamos andando e, um pouco antes de chegarmos na Piazza del Popolo, os olhos de lince da Fátima avistaram dois restaurantes na quadra de baixo. Esses sim eram charmosos. Entramos no primeiro, mas só sob reservas. Fomos ao segundo – a Osteria del Tempo Perso. Não poderíamos ter feito melhor escolha. A comida estava ótima (até um Brunello de Montalcino eu tomei – meia garrafa, safra 2003, €35,00 – e daí Sávio? Aprovado?), o garçom simpatissíssimo, uma sobremesa fantástica. Um gelato di limone que veio dentro de um limão mesmo. Até foto tiramos. Um final de dia perfeito para compensar toda aquela chuva.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Cidade do Vaticano e um pouco mais

Compromisso assumido, compromisso cumprido. Após o café, lá fomos nós para o Vaticano. Razoavelmente perto do hotel. Para variar um pouco, eu tinha que “internetear” antes do passeio, e por isso saí com a mochila do computador, pois os “internet point” são todos próximos do Vaticano. Nenhum perto do hotel. Foi um erro, pois a mochila fica muito pesada com o micro.

Na entrada para a Capela Sistina e Museus do Vaticano tinha um pouco de fila, mas não muito. Foi rápido. Na realidade perdemos um pouco de tempo porque deixei a mochila no “chapeleiro” (ainda bem...) mas esqueci o guia dentro. O guia é importante porque tem a descrição de cada sala que iríamos passar. A Fátima desceu buscá-lo, mas com isso lá se foram alguns minutos de perda de tempo.

A inexistente fila lá de fora foi uma ilusão. Todo o caminho até a Capela Sistina foi uma fila só. Ainda bem que as atrações intermediárias são muitas e todas interessantes (as salas de Rafael Sanzio, por exemplo). Mas a atração MESMO é a Capela. É uma coisa verdadeiramente impressionante a diferença que você claramente vê entre o trabalho de Michelangelo e o dos outros comuns dos mortais que também ajudaram na “decoração”. Michelangelo pintou o teto (onde tem a famosa cena de Deus dando a vida para Adão) e também a parede dos fundos, onde está o Juízo Final. A expressividade das figuras, o uso da cor, TUDO é MUITO melhor no que foi feito por ele. Eu nunca tinha imaginado que a diferença dele para os outros fosse tão flagrante. Ficamos um bom tempo sentados nos bancos laterais extasiados com a beleza da obra.

Saímos da Capela e passamos no correio do Vaticano, de onde mandamos um cartão postal para cada mamma. Hora da parada para o almoço – uma lasanha para cada um. Restaurante honesto.

De lá fomos para a Piazza San Pietro, para entrarmos na Basílica. Mais fila. Tem-se que passar pelo raio-x da segurança, além daquelas portas detectoras de metais. Fomos direto para o elevador que leva para a cúpula da Basílica. Parafraseando o Chavez (o personagem, não o ditador venezuelano), foi meio que um sem querer querendo, pois pegamos o “chiqueirinho” errado. Mais uma filinha até pegarmos o elevador que leva até o meio do caminho (só até os terraços que ficam sobre a cobertura da Basílica). Fomos direto para dentro da cúpula. Lá tem uma espécie de varanda, em todo o contorno da base da dita cuja, de onde se pode observar a basílica láááááááá em baixo. A altura impressiona. Pena que está tudo cercado por um alambrado alto e seja difícil de olhar e fotografar (será que eles tem medo de que alguém se suicide pulando de lá?). De qualquer maneira tem-se uma boa idéia do tamanho que é essa igreja.

Continuando, pega-se a escada que vai por dentro da cúpula até quase o seu topo. É uma boa subida a mais. Em certo ponto a escada vai ficando espremida entre as paredes inclinadas da cúpula, e é difícil até para manter o equilíbrio. Eu subi rapidinho. A Fátima veio mais devagar (BEM mais devagar), mas também chegou lá. A vista é muito bonita. Vê-se não apenas os jardins do Vaticano, mas toda Roma. Esse é outro daqueles passeios que valem cada um dos €7,00 que cada um de nós pagou para subir pelo elevador (a pé também pode, e é mais barato - €5,00). Descemos da cúpula e demos um pequeno passeio no telhado da Basílica (Xandinha, esse não é tão inclinado quanto o do Duomo de Milão, mas também tem suas “torturinhas”). Pegamos o elevador de novo – a saída já é praticamente dentro da Basílica. Mais um deslumbramento. É enorme e linda. Difícl descrever – só estando lá para sentir o que é.

Na saída, resolvemos dar uma descidinha até onde estão enterrados os Papas. Boa notícia – era grátis. Interessante que no túmulo de João Paulo II as pessoas deixam flores, bilhetes, postais. Não tenham dúvida que logo logo a Igreja o canoniza santo.

Era por volta de 17:00. Ainda dava tempo de irmos visitar o Castel Sant`Angelo, que é perto do Vaticano. É uma construção medieval, meio rústica, mas também interessante. O ingresso poderia ser mais barato. Digamos que mais ou menos €3,50 não valeram a pena dos €8,50 que pagamos, embora também se tenha uma boa visão de Roma a partir do terraço mais alto da construção.

A visita aí é rápida. Por volta das dezoito estávamos “interneteando” de novo. Pouco antes das sete já estávamos indo para o hotel. Agora vem uma parte que vocês não vão acreditar. No trajeto passamos na frente de uma loja de calçados e, adivinhem o que eu vi na vitrine? Crocs forrados com lã, no melhor estilo pantufa, mas ainda um legítimo Crocs. Entramos e comprei um preto. Quem quiser ver vai ter que ir lá em casa. Conseguem me imaginar todo fashion de Crocs “apantufado”?

Chegamos no hotel para um rápido descanso, e por volta das nove “garramo o mato” de novo para irmos a pé jantarmos na Piazza di Spagna. Um trajeto de mais ou menos 2 km, passando pela Piazza del Popolo. Na Piazza di Spagna mesmo não tem nenhum restaurante – jantamos num um pouco mais para a frente.

Hora de voltar para o hotel. Passeamos a pé por um trecho da Via dei Condotti, com sua “lujinhas” de segunda classe (Dior, Armani, Prada, Max Mara e por aí vai...). Quando a parte “boa” da rua acabou, pegamos um táxi e cá estamos de volta no hotel. Até amanhã!

A caminho de Roma, com escala em Pisa e Arezzo


Hoje o dia começou um pouco diferente. Acordamos por volta das oito, tomamos café, mas não saímos. Fiquei trabalhando no quarto do hotel até uma 11 horas antes de seguirmos com a programação. Do hotel até a torre eram só sete quilômetros. Rapidinho chegamos lá e, por sorte, tinha lugar num estacionamento (pago...) praticamente na frente da torre.

A visão da torre é incrível mesmo, e atualmente é possível para os visitantes subir até lá em cima. Fomos comprar o ticket para tanto, mas o número de pessoas para o passeio é totalmente controlado, e só tinha vaga para as 13:40 – muito tarde, tivemos que abrir mão dessa! Compramos então somente o ingresso para a visita da Catedral e do Batistério, o que também não deixa de ser muito interessante também. O interior da Catedral é muito bonito, aparentemente todo foleado a ouro (pelos menos é dourado...). Já o Batistério tem um acabamento bem mais simples (pobre?). Enquanto estávamos nas galerias, uma mulher começou a cantar lá embaixo. Ou ela tinha uma voz muito forte ou a acústica do Batistério é excepcional. Aposto numa mistura das duas opções. De qualquer maneira, foi emocionante.

Terminada a visita, fomos para a estrada de novo, a caminho de Roma. Chegamos à conclusão que o caminho pelo litoral que inicialmente havíamos planejado não era o mais adequado, e acabamos indo pelo interior. Essa estrada passa pertinho de Florença, e corta o interior da belíssima Tosacana. No caminho resolvemos parar em Arezzo, onde existem alguns belos afrescos de Piero de La Francesca. Prá variar um pouco entramos de novo na zona de pedestres e de circulação limitada, mas dessa vez o trauma foi bem menor (ou até inexistente – será que estamos ficando malandros?). De novo pedimos informações a transeuntes, e chegamos ao lugar para estacionar. Do estacionamento até a parte histórica é tudo muito moderno – até escada rolante tem.

Começamos nossa visita pelo Duomo (que novidade...). A igreja não é tão impressionante quanto as outras já visitadas, mas vale a pena. Existe um afresco de N.Sra. feito por Piero de la Francesca que está praticamente intacto, depois de 500 anos de sua confecção. A seguir, fomos em direção da Basilica di San Francesco, onde estão os maiores afrescos do Piero (já estou íntimo...). Antes de entrarmos na igreja, resolvemos comer alguma coisa, pois afinal já era mais de duas da tarde. Sentamos num dos cafés da Piazza di San Francesco, e, vejam só, o local que escolhemos existe há mais de 100 anos. Os pratos eram muito interessantes, servidos numa pequena bandeja, pareciam mais um mostruário de comida do que uma refeição. O que eu pedi, por exemplo, veio com vários pedaços de queijos diversos, duas fatias de polenta assada com mais queijo em cima, um potinho quadrado com vários tipos de cogumelos, radiccio em conserva, e , pasmem, compota de pera. Uma combinação maluca, mas que deu muito certo. E as sobremesas então? O menu tem fotografias dos pratos, tanto os salgados quanto os doces. Pena que não dava espaço para mais nada. Assim que levantamos para sair, chegaram duas sobremesas na mesa ao lado. A realidade era ainda melhor do que as fotos. Coisa de louco – nos deixou com vontade de voltarmos lá um dia só para pedirmos uma sobremesa daquelas.

Enquanto eu aguardava a conta, a Fátima foi comprar os ingressos para vermos os afrescos da Basílica, mas só tinham disponível para as 16:30 – muito tarde, afinal tínhamos ainda 200 km até Roma. De qualquer maneira, a vista à Basílica é grátis – só não dá para ver os afrescos, disse a atendente.Entramos na igreja, uma construção bem mais simples, com estrutura do telhado em madeira aparente, sem nada dos luxos da outras. Agradável surpresa – você pode ver os famosos afrescos de Piero de la Francesca – só que não de pertinho. Mas não é nada muito longe, uns 10 metros talvez. Dá para ver muito bem, e de graça.

Saindo da igreja, subimos até a Piazza Grande. Muito bonita. Nela foram filmadas algumas cenas de “A Vida é Bela”. As paredes dos prédios são todas enfeitadas com escudos bem coloridos (ou algo assemelhado – a foto vale por mais de mil palavras). O interessante é que o piso da praça acompanha o relevo natural do terreno, e é completamente em rampa. Normalmente as praças são planas, certo?

Terminamos a rápida visita a Arezzo aí pelas quatro e meia. Valeu a pena o pequeno desvio do caminho planejado (a cidade fica a uns 15 km para fora da autoestrada que leva a Roma).

Chegamos em Roma por volta das dezoito e qualquer coisa. O trânsito é meio complicado, e para percorrermos os 30 km finais, levamos quase uma hora. O GPS, para variar, nos levou direitinho para o hotel (já era por volta de 19:30). Só que o hotel não tem placa, e não achamos vaga para estacionar! Parei o carro na esquina, a Fátima desceu e foi atrás da Via Germanico, 198, enquanto eu dava uma volta na quadra. Mantendo a nossa atual boa maré de sorte no que se refere a vagas para estacionar, quando acabei de dar a volta na quadra um carro estava saindo de uma vaga a 10 metros do hotel (nesse ponto a Fátima já o tinha encontrado). Entramos no prédio. Se não fosse uma recomendação da Marisa e do Hamilton (e se não tivessemos que pagar “no show”) teríamos dado a volta e ido embora. A recepção fica no primeiro andar, e os apartamentos são no quarto. Ainda bem que a má impressão imediatamente se apaga quando você entra no quarto. Dentro é tudo bem cuidado, uma boa cama, bom banheiro, todos os confortos que se quer de um hotel. Mas ele está muito mais para “bed and breakfast” do que para hotel “de verdade”.

Enquanto a Fátima arrumava as malas, eu fiquei atualizando esse negócio aqui. Saímos para jantar aí pelas nove. Fomos caminhando até a Piazza Navona, passando ao lado do Castel Sant`Angelo, e vendo o Vaticano ao longe. Atravessamos o Tibre e em menos de 15 minutos estávamos na praça. Escolhemos aleatoriamente um dos tantos restaurantes da praça, jantamos uma boa massa, e antes de meia noite estávamos no hotel para nos recuperarmos para mais um dia de passeios. A idéia para amanhã é dedicação exclusiva ao Vaticano. Quem viver verá!

Cinque Terre

Hoje o programa foi dedicado às Cinque Terre. Após levantarmos, a Fátima foi comprar algo para nosso café* (como nem tudo é perfeito, o café no hotel custava €8,00 por pessoa – nem pensar...), e aproveitou a saída para pegar algumas informações sobre o passeio. A venda de ingressos só começava às 10 horas, e o primeiro barco só saia às 10:30. Conclusão: fiquei vendo algumas coisas do trabalho, além de aproveitar para passar alguns email`s antes da partida, enquanto a Fátima ficou responsável pelos ingressos. Paguei o hotel e nos encontramos na pracinha de saída do barco. Durante a compra, ela encontrou duas mineiras também comprando bilhete, e acabamos fazendo boa parte do passeio juntos – bem simpáticas as moças.

*Um aparte sobre a ida à compra do café: a Igreja havia acabado de abrir e resolvi entrar fazer uma rezinha, estavam umas 7 velhinhas reunidas e de repente duas começaram a discutir cada vez mais acirradas e se peitando, coisa de louco, perdi toda a minha concentração e fui embora, só na Itália mesmo que até as velhinhas brigam feio e dentro da Igreja!

A primeira parada foi em Vernazza. Descemos e passeamos pela pequena vila. Pegamos o próximo barco, que só passa ao largo de Corniglia. Não descemos em Manarola – fomos direto até Rio Maggiore. Rio Maggiore é ligada a Manarola pela “Via dell`Amore”, um caminho de mais ou menos 1 km muito bem cuidado, pelas encostas do Mar Ligure. No meio desse caminho tem uma espécie de túnel, onde os amantes escrevem nas paredes as suas juras de amor. Deixamos lá a nossa, óbvio. Almoçamos em Manarola, num pequeno restaurante com “mesinhas assim prá fora” (muito bom, tanto ambiente quanto a comida) e em torno de 15:30 estávamos entrando no barco para voltarmos a Monterosso al Mare e pegarmos a estrada em direção a Lucca. Como ficamos aproveitando ao máximo Cinque Terre, tivemos que optar por deixar Carrara e suas pedreiras de lado. Só vimos as montanhas brancas de dentro do carro, quando passamos por lá.

Chegamos tranquilamente em Lucca (sempre com o GPS ligado). Foi quando o dito cujo nos aprontou uma. Fomos seguindo as orientações para chegarmos ao centro histórico, quando de repente nos vimos “presos” de carro numa área exclusiva para pedestres. Foi o maior mico. Não fazemos idéia de como fomos chegar nisso, mas o fato é que estávamos com a maior cara de bunda “atropelando” todo mundo – e quanto mais andávamos, pior ficava. Não tivemos alternativa – vi um grupo de italianos conversando, expliquei minha situação e perguntei como sairia de lá. Um deles foi muito simpático e explicou o caminho de saída. Um outro só faltou pular dentro do carro para me bater. Felizmente achamos a saída, pudemos estacionar e voltar a pé (como sempre deveríamos ter feito) para o centro histórico de Lucca. Fizemos o trajeto que o guia recomendava, mas o “trauma” ficou. A idéia inicial era dormirmos lá (até chegamos a ver preço de hotel, mas era muito caro - €203,00 por uma noite – e teríamos que entrar na área proibida de novo. Foi demais. Saímos para Pisa.

Na chegada de Pisa passamos por um Holiday Inn. Não tivemos dúvida – fizemos a volta e dormimos lá, por €100,00 com café incluso. E padrão Holiday Inn de limpeza e conforto. Os americano é foda – sabem como fazê as coisa funcioná. Entramos no quarto, a Fátima foi dar só uma descansadinha para depois irmos jantar no centro. Que jantar que nada – ela só acordou por volta das 11 e ficamos por lá mesmo. Prá variar trabalhei mais um pouco antes de cair nos braços de Morfeu (que brega...).