terça-feira, 8 de outubro de 2013

E a Toscana continua linda


Hoje acordamos mais cedo - sete horas já estávamos de pé. Afinal, a atendente do Hotel Reale havia nos dito que o Duomo abria às 8 horas para visitação. Antes das oito ainda já estávamos na porta da igreja, onde um cartaz dizia: horário de visitação das 09:30 até as 18:00. Ou seja, ontem perdemos por poucos minutos (se não tivéssemos entrado em Capararola...). Hoje perdemos por mais de uma hora, pois não íamos ficar esperando.

O Duomo de Orvieto
Um detalhe do Duomo de Orvieto
Voltamos cabisbaixos para o hotel, acertamos as contas e pegamos a estrada em direção a Montepulciano. No meio do caminho, um aviso: a estrada normal para Montepulciano estava fechada. As placas indicavam o novo caminho, pelo qual Montalcino ficaria mais perto. É Montalcino por primeiro então. Chegamos lá, paramos no parcheggio na frente da fortaleza e fomos dar a nossa passeggiata. Fortaleza, centro histórico, igrejas, etc.. Visita relativamente rápida, já pegamos a estrada para Pienza.
Na estrada em direção a Montalcino
 
A Fortezza de Montalcino

Nem meia hora e estávamos lá. Essas três cidades são perto uma da outra. De todas as medievais que visitamos até agora, Pienza é a mais caprichada. Vejam as fotos, porque a visita foi o padrão...
Pienza

Esperando o almoço na Tenuta Santo Pietro
Uma boa surpresa veio no caminho di Pienza para Montepulciano. Era já o horário do almoço, e desde o início do planejamento da viagem pensávamos em almoçar em algum restaurante "da mamma" aqui na Toscana. No meio da estrada, entre inúmeras vinícolas, vi uma placa: aberto todos os dias para almoço e jantar. Não sei se quase cheguei a causar um acidente, mas diminui rápido e entrei. Entrei é maneira de dizer, porque só consegui parar depois do portão. Ré, primeira e estacionamos lá dentro. Tudo muito calmo, sem nenhum sinal de vida, mas se dizia que estava aberto, fomos entrando. Estávamos num hotel restaurante do meio da Toscana chamado Tenuta Santo Pietro (http://tenutasantopietro.com/). Não é propriamente o ristorante da mamma que queríamos, mas chegou muito perto. Quase tudo é produzido na propriedade, as massas são artesanais, o atendimento é simples mas primoroso. Após uma insalata mista de entrada (mesmo a salada já estava sensacional), vieram os pratos. O meu foi um pici fatto a mano all'aglione. Pici é uma massa típica da Toscana, meio que um spaghetti mais grosso e meio encaracolado. Muito bom. Mas o que matou a pau mesmo foi o que a Fátima escolheu: ravioli di pecorino di Pienza al tartufo. Para quem ainda não sabe, tartufo é trufa (o blog também é cultura e ensinamento). Segundo ela, foi um dos melhores pratos que ela já saboreou em toda a vida. Deem uma olhada nas fotos e fiquem com água na boca! Tudo isso por módicos 37 euros (módicos para padrões italianos, claro - mas creio que algo similar no Brasil sairia mais caro).

Os jardins da Tenuta Santo Pietro

Bom, seguimos viagem para Montepulciano. Mesmo padrão de visita. Como na viagem anterior havíamos trazido de volta 3 garrafas de Brunello de Montalcino, desta vez resolvemos comprar 3 garrafas de Nobile de Montepulciano. Como "enófilo nem amador" não faço ideia da qualidade do que compramos, mas certamente nos deliciaremos com eles. Essa é uma das vantagens de ser um "enófilo nem amador" - muito mais fácil de ficar satisfeito...
A Fátima e as velas - essas são no Duomo de Montepulciano

Detalhe da fachada do Duomo de Montepulciano
Próxima parada, Florença. Como o tempo estava passando rápido, resolvemos agora liberar o GPS ara achar rotas com pedágio. Deixamos de lado as estradinhas vicinais, e pegamos a A1 - autoestrada pedagiada com velocidade máxima permitida de 130 km/h. Bem diferente dos 50 ou 60 das vicinais. Queríamos chegar em tempo de pegarmos a Galleria della Accademia aberta para podermos apreciar o David do Michelangelo novamente. Felizmente o GPS nos levou por uma rota que passava pela Piazzale Michelangelo, aquela da qual você vê toda Florença "de cima". Só vimos, não paramos para não nos atrasarmos. Após o martírio que é conseguir lugar para estacionar numa cidade grande (e ainda mais cheia de zonas proibidas para não residentes), conseguimos uma vaga a pouco mais de um quilômetro da praça do Duomo (fico até com vergonha de falar da cag... que fiz - só paguei estacionamento para uma hora - vá ser estúpido assim lá na caixa prego, e não em Florença). Andando em passo de ivo, conseguimos chegar na Accademia a tempo de desfrutarmos com calma não só David, mas também mais algumas das outras atrações expostas.
Piazza della Signoria

Na saída, passamos novamente na frente do Duomo, para olhar com um pouco de novo, caminhada até a Piazza della Signoria (onde está a cópia de David) e constatação de que estávamos nos afastando cada vez mais do local em que tínhamos estacionado. A essa altura dos acontecimentos, a hora de estacionamento que paguei já tinha se esgotado há muito. Se fomos multados, só saberemos daqui a alguns meses (em 2008, recebi uma multa mais de 3 meses depois de termos retornado).

Agora a direção é Pistoia, onde amanhã quero visitar o Monumento Votivo Militare Brasiliano, em homenagem aos combatentes brasileiros na segunda guerra mundial. Coisas de Ivo, não tentem entender. Instalados no Milano Hotel Pistoia, uma pizza muito boa para o jantar e de volta para o hotel. Amanhã tem mais. 
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Onde vamos, a chuva vai atrás

Conforme previsto, por volta das nove estávamos tomando nosso último café da manhã no Residenze dei Quiriti. Por volta das 10 horas saímos do hotel, após um bom papo com os donos do mesmo que nos deram algumas boas dicas a observarmos no nosso trajeto até Milão. Andamos até o metro e rapidamente estávamos na estação Termini no balcão da Hertz. Nosso Cinquecento estava lá reservado direitinho, num estacionamento a 200 m da estação. Como qualquer grande estação de transporte, as imediações são horríveis. O trajeto até o estacionamento foi deplorável. Subimos ao 7.° andar do estacionamento, e lá estava o nosso 500 branco nos esperando. Completamente sem gasolina. GPS apontando para Viterbo, uma pequena parada para abastecermos, um pequeno zig onde deveríamos ter feito um zag (ops - desculpem-me...) e logo estávamos na estrada.

O Lago di Vico
Depois de algum tempo de autoestrada, entramos numa pequena estrada vicinale. Muito bonita! Em um certo ponto, vimos uma placa: Lago di Vico. Não pensamos nem meia vez - entramos. A estradinha que levava ao lago foi BEM melhor que o lago em si - meio sem graça. Como paramos próximo a um restaurante, e já estava quase no horário do almoço, pensamos: vamos almoçar por aqui! Mudamos de ideia rapidamente - a placa dizia qualquer coisa tipo "menu econômico a partir de 25 euros por pessoa". Pode ser econômico para italianos cheios da grana, mas não para nós.


Voltamos para o carro, já sentindo algumas gotas de chuva, e demos mais uma olhada no guia. Perto do lago (a 4 km) fica Capararola. Que tal irmos até lá? Ok, vamos. Tiro no pé, não vale a pena - a única "atração" era um tal de Palazzo Farnese, que além de estar precisando urgente de uma restauração, estava fechado. Desperdiçamos pelo menos meia hora de nosso precioso tempo! Mas fazer o que? Nada além de se conformar e seguirmos viagem em direção a Viterbo, nosso primeiro destino "original".

O Duomo de Viterbo
Viterbo vale a pena a parada. Primeiro porque achamos um restaurantesinho onde conseguimos almoçar os dois por 9,90 euros! Segundo porque tem o que ver, e vale a pena ver! Primeiro de tudo fomos ao Duomo. Logo ao lado fica o Palazzo Papale. Ambos simples (comparados às igrejas de Roma), mas bonitos. Depois disso, caminhamos até o bairro medieval de San Pellegrino. Parece que voltamos no tempo.



 
Cenas de Viterbo



A chuva em Montefiascone
Estrada de novo, agora em direção a Montefiascone. Mais uma chuvinha no caminho, mas pouca coisa. Quando chegamos lá, só víamos chuva ao redor. Pegamos os nossos guarda chuva, e subimos a escada até a igreja de Santa Margherita. Segundo nosso guia, ela tem um domo construído em 1.670, que só perde em tamanho para o da Basílica de São Pedro. A igreja em si praticamente "se resume" ao domo - fora um presépio mecanizado muito do legal. De qualquer maneira, vale a pena. De lá já pegamos o caminho para Orvieto. Na saída de Montefiascone, passa-se na igreja de San Flaviano, do século 12, com alguns afrescos ainda muito bem conservados.
O presépio do Duomo de Montefiascone
 
Um dos afrescos da igreja de San Flaviano em Montefiascone.
Reparem nas caveiras
Quando o GPS indicava uns 6 ou 7 km até Orvieto, algo mágico aconteceu. Da estrada tem-se uma vista fenomenal do monte onde fica a cidade, e no exato momento em que passávamos, chovia ao redor de toda colina, menos na própria, onde o sol brilhava intensamente. Se quiséssemos definir algo próximo ao paraíso, certamente essa vista seria uma séria candidata. Entramos em Orvieto já depois da 6 da tarde. Não tenham dúvidas, nos perdemos no emaranhado de vielas da pequena cidade. Passamos por ruas que não sobrava mais do que 20 cm de cada lado no nosso cinquecento, que se revelou a opção ideal para andar nessas cidades com ruas medievais. Após várias idas e vindas, com um medo danado de entrarmos em zona proibida e sermos multados como fomos em 2008, conseguimos estacionar.
Orvieto sob o sol da Toscana.
A foto não faz justiça ao que os olhos viram.


Já era tarde, ia ficando difícil seguirmos viagem até Montepulciano ou Montalcino como inicialmente previsto. Vimos então um prédio muito interessante no qual fica o Hotel Reale. Entramos para dar uma olhada - ih, não é para o nosso bico. Mesmo assim, subimos até a recepção pela ampla escada de mármore protegida por um belo tapete. Avete una camera doppia per oggi? Si, sicuro! E quanto costa? 70 euros! Pequena pausa para reflexão! Puxa, por 70 euros, com esse requinte todo, vamos ficar. A Fátima ficou acertando as coisas enquanto eu fui buscar o carro no estacionamento para trazer para a frente do hotel. A ilusão acabou ali. Quando cheguei no andar do quarto, já comecei a achar meio que meia boca. A Fátima me abriu a porta, e já foi dizendo: parece mais velho que a casa de nossos avós! Realmente, parece que os móveis foram comprados antes dos anos 50, e nuca mais trocados. O banheiro tem cara de 1900 e bolinhas! Mas, quer saber, tanto faz! Afinal, como diria nosso amigo Alexandre, é velhinho mas é bem limpinho.
A escadaria em mármore do Hotel Reale
em Orvieto.
Bagagem descarregada, saímos imediatamente para ver se ainda pegávamos alguma coisa aberta. Rapidamente chegamos no Duomo, para variar a principal atração da cidade. Óbvio, já estava fechado (já era mais de 18:30). De qualquer maneira, externamente é do peru... Paramos num lugar abrigado da chuva, e vimos o que tentar fazer em seguida. Sei lá, vamos andar por aí e ver se achamos algo aberto. Fomos andando meio que sem rumo, pensando que estávamos na direção certa de um tal de Pozzo di San Patrizio, tal como dizia uma placa. Creio que mais uma vez pegamos o caminho errado, pois sentimos que estávamos cada vez mais nos afastando do centro histórico. Resolvemos pegar um atalho e quando percebemos estávamos efetivamente no caminho de volta para o hotel.
O Duomo de Orvieto
 
Nosso jantar de hoje
 
A vista do nosso quarto do hotel


Na ida para o Duomo, passamos num pequeno mercado. É aqui que na volta vamos comprar o nosso jantar de hoje. Entramos, compramos um farnel de fazer inveja a muita gente (só para dar uma pequena ideia: Gorgonzola DOP, Parmigiano Reggiano idem, um belo Chianti, óleo de oliva, vinagre balsâmico cremoso, uma bela salada pré preparada, 100 gramas de presunto à base de ervas, manteiga, pratos e garfos descartáveis...), montamos a nossa mesa e nos fartamos com as delícias italianas.
Isso posto, nada mais tenho a declarar. Até amanhã.

 


domingo, 6 de outubro de 2013

Peregrinos em Roma

Os mais antigos lembram: costumava-se dizer que quando algo não estava completo, era como ir a Roma e não ver o Papa. Pois ainda não foi desta vez. A Fátima já estava meio reticente com a ideia de irmos até a Piazza San Pietro para assistirmos o Angelus e vermos Francisco na janela (ela falava nisso desde que decidimos a viagem). Ontem, com o jantar com o Pe. Ricardo a decisão foi tomada: não vamos. Ele nos falou que apenas uma vez tentou assistir ao Angelus, e mesmo tendo chegado relativamente cedo, não conseguiu mais lugar na praça, mas apenas na Via della Conciliazione, e mesmo assim nem na primeira quadra. Para conseguir pegar um lugar razoável na praça, teríamos que chegar antes das sete, e ficar esperando
de pé (na chuva???) até o meio dia. Passamos.

A escada de saída das catacumbas
Em assim sendo, nada restou a não ser antecipar o que seria a segunda parte da programação de domingo, ou seja, uma visita às catacumbas. O Google Maps nos ensinou que se pegássemos o ônibus 130F na estação Lepanto, com mais uma caminhadinha no final, em cerca de 50 minutos estaríamos lá. Descendo no ponto Navigatori, iniciamos nossa caminhada (mais ou menos 1 km) até o nosso alvo, as catacumbas de São Sebastião. No trajeto passamos pelas catacumbas de São Calisto - era a outra sugestão da Sílvia, uma ex aluna da Fátima que morou muito tempo em Roma. Não tivemos dúvida - é aqui que entramos. Ingressos comprados, esperamos 20 minutos até o horário da visita, que só pode ser feita "guiada". Vendo-se lá embaixo o labirinto que são os inúmeros túneis, compreende-se o porque.
Onze horas em ponto começam a chamar os grupos, de acordo com a língua falada na visita. Anteriormente havíamos pensado em fazer o passeio em inglês, mas quando vimos que a visita em italiano era para um pequeno grupo de apenas 8 pessoas, mudamos de ideia. A Fátima disse que o que ela não entendesse eu explicava. Aqui que entra a história de peregrinos em Roma. Irmão Giuseppe, nosso guia, disse que depois que entramos nas catacumbas com ele, não interessa mais porque estamos ali visitando, não interessa mais o credo. Lá embaixo somos todos peregrinos. Muito bem, peregrinemos. Me desculpem mais uma vez, mas o negócio é impressionante. Descemos até um nível intermediário - 11 metros abaixo do solo (existem catacumbas até 22 metros de profundidade, mas não são abertas ao público), ambiente bem fresco, sem umidade, sem cheiro de mofo. Na catacumba de São Calisto foram enterrados mais de 500 mil pessoas, das quais uns 40% de crianças - a mortalidade infantil era muito alta naquela época. Entre os enterrados, mais de 15 Papas. De repente, Irmão Giuseppe fala várias vezes que lá esteve também o Papa Gaio. Era Papa Gaio pra lá, Papa Gaio pra cá, que nem sei mais se não era o papagaio de estimação de alguém (não seria o Zé Carioca?) que esteve por lá. Tivemos que nos conter para não rirmos.
Terminada a visita, fomos pegar o ônibus da volta. Turista que nunca pegou transporte coletivo no sentido errado que atire a primeira pedra. Quando percebi que estávamos indo para o lado errado, perguntei para o motorista que me orientou a descer aqui e esperar pelo ônibus certo ali. Depois de uns 20 minutos de espera, veio o 118 na direção certa. Era o mesmo ônibus, já na volta para o centro. Podíamos ter ficado dentro sentadinhos, e não de pé no ponto. Coisa de neófitos.
Termi di Caracalla - a foto não faz justiça ao tamanho!
Muito bem. A sequencia era uma parada nas Termas de Caracalla. Quase perdemos o ponto.  Fátima viu umas ruínas enormes e com firmeza falou: é aqui, vamos descer. Meio descrente, desci. Era ali mesmo. Ponto para ela. Me ajudem a encontrar novos adjetivos, porque dizer que as termas são impressionantes, sensacionais, espetaculares, já não serve. Fica-se imaginando o povo Romano aproveitando toda aquela estrutura enorme, finamente decorada. São salas e mais salas, paredes altíssimas, restos de pavimento ainda originais, fragmentos dos mosaicos da decoração das paredes! Esses romanos eram f. mesmo! Só para dar uma ideia, o prédio principal mede 412 x 393 metros. Só de mármore para colunas e revestimentos, foram usados 6.300 m³ (por volta de 200.000 m² equivalentes)! Incrível.
Um dos mosaicos que decoravam as termas
O Palatino, visto do Circo Massimo, a caminha da Bocca

Bom, chega de tergiversar. Vamos para frente. Saímos de lá e fomos caminhando até a Igreja de Santa Maria in Cosmedin, onde está a famosa Bocca della Verità. Fila para entrar. Dá para ver a Bocca pela grade. Óbvio, deixamos de lado - apenas uma foto da dita e pronto.
A feirinha na Via dei Fori Imperiali
Próximo destino, a igreja de San Pietro in Vincoli, onde está Moisés de Michelangelo. Já era hora do almoço e no caminho paramos num restaurante simpático, onde pedimos uma salada mista e um gnocchi ao pesto. Dos melhores gnocchi's que já provamos nessa nossa ainda curta existência. De lá, para chegarmos ao Moisés, vai-se pela Via dei Fori Imperiali. Agradável surpresa. A rua aos Domingos fica fechada para carros. Além da tranquilidade, tinha também uma pequena feira de produtores artesanais (e orgânicos). Mais uma brilhante ideia da Fátima: compramos un etto (100 g) de um delicioso queijo chamado Caciocavallo, e uma mini garrafa de olio di oliva. Estávamos com meio jantar pronto.
A corrente em que, diz a lenda, São Pedro foi aprisionado
Voltemos à programação. Saindo da feirinha, em mais uns poucos minutos chegamos em frente de Moisés. Meio óbvio, mas continua de cair o queixo. Ainda mais que uma boa alma resolveu desapegar de um euro e colocou a moedinha mágica que acende as luzes sobre a escultura. Mas nossa tarde ainda não estava completa. Fomos agora até a igreja de Santa Maria Maggiore. Chega de adjetivos. Cheguem você mesmos às conclusões que quiserem, olhando as fotos...
O teto de Santa Maria Maggiore
O Baldaquino da mesma!
Saindo da igreja, o sorvetinho de limão da tarde, pequena caminhada até a Estação Termini, e metro para o hotel. Pequeno período de repouso e saímos atrás de uma panificadora para completar os ingredientes do nosso jantar. Panificadoras fechadas no Domingo à tarde. Compramos umas torradinhas integrais, facas de plástico e vamos para o hotel degustar as nossas especiarias. Jantar bom, bonito e barato. Nada melhor para fechar a nossa estadia em Roma. Amanhã pela manhã pegamos a estrada rumo a Milão.

sábado, 5 de outubro de 2013

Em Roma também chove - e como!


Ontem fiquei atualizando o blog até mais de 3 da manhã. Hoje não sei ao certo se fui acordado pelo despertador ou pelos trovões e pela chuva intensa. O fato é que aí por 09:30 estávamos saindo do hotel, ainda debaixo de chuva, embora não mais uma tempestade. O destino era a Galleria Borghese, onde tínhamos horário marcado para as 11 horas. A Fátima trouxe uma sombrinha, que não estava se mostrando suficiente para proteger a ambos. Um doce para quem adivinhar a salvação - não tínhamos andado nem 3 quadras quando apareceu o primeiro vendedor de guarda-chuvas. Compramos um "só para mim" e fomos até o ponto de ônibus - que não era coberto! Esperamos uns quinze minutos até que o 490 apareceu. Logo estávamos na Villa Borghese. Uma caminhada de uns 10 minutos pelo parque, já com a chuva bem mais amena, e chegamos na Galleria. Retiramos nosso ingresso (previamente comprado pela internet - você só tem acesso ao Museu com reserva antecipada) e pouco antes das onze fomos liberados para entrar.
Em frente à Galleria Borghese
O Rapto de Proserpina de Bernini
A entrada na primeira sala é mais do que impactante. Você dá de cara com o Rapto de Proserpina de Bernini. Que coisa! Como você pode ver bem de perto, te impressiona mais do que a Madonna ou Moisés de Michelangelo. Não é permitido fotografar, mas creio que estou sendo justo com Bernini ao colocar essa foto que peguei na rede... A coleção da Galleria Borghese é uma apoteose de Bernini's! Como atrações "secundárias", você vê alguns Caravaggios's, Tiziano's e Rafael's... Lembrem-se que isso tudo era uma coleção particular!
Terminada a visita, tomamos um capuccino (quente, porque o do hotel é frio...) cada um e saímos a pé em direção à Piazza di Spagna. A chuva tinha diminuído, e antes de chegarmos na praça já tinha parado totalmente. Vindo da Villa Borghese você chega "por cima" (no caminho passamos em frente à uma loja de chapéus - a foto é em homenagem à Panda - prestem atenção no brasão), em frente à igreja Trinità dei Monti. De lá você vislumbra não apenas a praça e a famosa scalinata mas também toda a Via Condotti, com suas "lujinhas" tipo Prada, Dior, Max Mara e por aí afora.

Loja Borsalino, de Alessandria
De cima do monte, com a Via Condotti ao fundo
A famosa scalinata, com a igreja acima
Voltaremos
De lá fomos em direção à Fontana di Trevi, parando no meio do caminho para almoçarmos num restaurante com mesinhas assim pra fora chamado l'italia buona. Um panino e uma salada nos revigoraram. Na fonte jogamos a famosa moedinha, tomamos a nossa dose diária de gelato di limone e após alguns minutos levantamos acampamento em direção ao Palazzo Barberini. Além da habitual "coleçãozinha" (Caravaggio, Rafael, Ticiano, ...), o ponto alto é um afresco de Pietro da Cortona no teto do Gran Salone. Deitamos nos bancos para melhor apreciarmos a obra, que tem efeitos ilusionistas de cair o queixo. Descemos pela escada de Bernini (sempre ele) e fomos até os jardins, cheio de mato, sem flores. Acho que até o Josué cuidaria melhor! Não posso também deixar de mencionar a sala ovale, que ... é ovale, só isso.

Próximo passo (aliás, muitos...) - subir a Via delle Quattro Fontane até a esquina onde ficam as... quattro fontane! Uma em cada canto do cruzamento (feias e sujas, ou sujas e feias, não decidimos ainda). De lá, descemos até a Piazza Barberini (onde não vimos a Fontana del Tritone - de Bernini - que está em restauração atrás de tapumes), pegamos o metro e voltamos para o hotel.
Uma das quatro fontes
Após um bom descanso, saímos para o nosso compromisso noturno de hoje: jantarmos com o Padre Ricardo. Para poucos: marcamos encontro no obelisco da Praça de São Pedro, onde tivemos duas emoções - rever o grande amigo e apreciar a Basílica iluminada. Seguindo sugestão do "anfitrião", fomos jantar num restaurante lá perto chamado Borgo Nuovo. É o restaurante de escolha dos Papas, antes de virarem Papas. Compreensível: bom, bonito e barato. Depois de quase 3 horas de papo que passaram muito rápido, voltamos para o hotel e cá estou a atualizar o blog. Boa noite a todos.
Fátima, Pe. Ricardo e o Vaticano

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Foro Romano sem chuva

Quem acompanhou o blog de 2008, talvez lembre que visitamos o Foro Romano debaixo de chuva (tinha começado a chover quando ainda estávamos no Coliseu). Hoje (04/10/2013) o dia esteve sensacional, a maior parte de tempo com sol, mas nada exagerado.



Dentro do Coliseu
Mas vamos ao relato do dia. Devido ao sono atrasado, acordamos aí pelas nove. Depois do rápido café cosi cosi do Residenze dei Quiriti, saímos para pegar o metro em direção ao Coliseu. O Roma Pass funcionou perfeitamente, e após poucas estações e uma mudança de linha, rapidamente chegamos. Acho que nunca vi tanta gente junta tentando visitar um local. Multidões atarantadas. Mas aí veio a grande vantagem do Roma Pass: quem o possui não precisa entrar em filas, tem acesso direto (mais ou menos, porque mesmo assim ainda teve fila - sem falar nas manadas...).
O Arco de Constantino visto de dentro do Coliseu
Já aconteceu antes, e vai acontecer de novo: vou ser repetitivo. O Coliseu é de deixar qualquer um de boca aberta. Que coisa! Você vai circulando impressionado por tudo aquilo, e ainda é surpreendido por vistas sensacionais ao passar pelas aberturas dos arcos da estrutura: aqui você vê o Arco de Constantino, ali o Palatino, logo depois o monumento a Vittorio Emanuele II no meio dos cedros e oliveiras. No mínimo, sempre vai existir uma cúpula de uma igreja qualquer - Roma deve ter mais de 365 igrejas - não parei para contar.
Dentro do Foro Romano




Basílica de Constantino e Maxêncio
Saindo do Coliseu, fomos até o Circo Massimo. Em termos de atração, foi mesmo o Circo Minimo. Hoje não passa de umas poucas ruínas (em restauração, como meia Roma). O vale onde ficava a pista, está coberto de mato e mais parece um terreno baldio. Conclusão: 600 metros de caminhada à toa. Voltamos para entrar no Palatino (mais uma vez sem fila com o Roma Pass). Aí sim, tudo é máximo, colossal, monumental! Na sequência, e no mesmo grau de grandiosidade, circulamos pelo Foro Romano. No final da visita, entramos na Curia, o antigo senado romano, que foi reconstruído. Lá tivemos uma bela surpresa (principalmente a Fátima): além do piso original e vários afrescos, há uma mostra de dois aquarelistas do início do século 19 (Simone Pomardi e Edward Dodwell) retratando várias cenas gregas e romanas. Coisa para se admirar!
O Arco de Sétimo Severo ao fundo

Quando nos demos conta, já era mais de duas horas. Subimos as escadarias até a Praça do Campidoglio e fomos almoçar na cafeteria dos Museus Capitolinos. Antigos frequentadores deste espaço hão de lembrar do comentário sobre o barulho do local. Continua o mesmo. Desta vez fomos um pouco mais espertos e almoçamos na área externa, servida por garçons (dentro é self service). Ambiente muito mais tranquilo e agradável, com vista para no mínimo umas 20 cúpulas (haja igreja).

Como temos feito nessa releitura de Roma, visitamos os museus, nos detendo apenas nas atrações principais, tais como a estátua equestre de Marco Antonio (Michelangelo), a Medusa de Bernini e a Loba com Rômulo e Remo.


Aestátua equestre de Marco Antonio
O tempo voa. Hoje à noite ainda temos o balé Coppelia na Teatro della Opera di Roma. Não podemos chegar tarde no hotel. Descemos pela escada projetada por Michelangelo em direção à Igreja de Santo Inácio de Loyola. Uma rápida visita (é impressionante o domo "falso": dá a perfeita impressão de profundidade, como se realmente estivesse lá). Próxima parada: Panteon. Novamente muita gente. Em poucos minutos estávamos "prontos". A seguir, Igreja de San Luigi dei Francesi, a preferida do Papa. Antes de chegarmos na Piazza Navona, tentamos de novo visitar a Igreja de Santo Ivo alla Sapienza. Fechada.Pelo menos desta vez deu para entrar no pátio interno. Quem sabe na próxima de para entrar na Igreja.
Praça interna da Santo Ivo

Última parada desta tarde: Piazza Navona. Lá já não era apenas um mar de gente, mas dois, três, sei lá. Além das pessoas, a praça é cheia de caricaturistas se oferecendo para fazer o retrato de alguém que certamente não é você. Passamos. Vimos rapidamente as fontes, demos um pequeno alô de longe para a embaixada brasileira e pegamos um táxi de volta para o hotel.


A Fonte dos 4 Rios
As previsões estão cada vez mais certas: sete horas da noite estávamos saindo para pegarmos o metro em direção ao Teatro della Opera di Roma. Já vimos teatros mais bonitos (não que esse seja feio, mas...). Subimos aos nossos lugares no 3.° balcão, e pouco depois das oito começou o espetáculo. A Fátima achou um encanto (eu não achei tipo assim um encanto, porque, afinal, não sou tipo assim nenhum ...). Brincadeiras à parte, foi muito bom mesmo. Deu uma vontade louca de estarmos lá com a Bia - teria sido ainda melhor.

Por volta das dez horas da noite e muitos aplausos depois, fomos na garoa atrás de um táxi (e achamos rapidinho...) que nos levaria até o Alfredo Alla Scrofa, onde um Fetuccini Alfredo e um Chianti foram o fechamento ideal de mais um dia inesquecível. Vocês não vão acreditar, mas lá compramos o primeiro presenteda viagem: um saca rolhas para o Seu Joãosinho (só os muito iniciados sabem quem ele é!).






Roma mia, aqui me tens de regresso


Me desculpe o Adelino Moreira (sei que alguém pensou no Nélson Gonçalves, mas pensou errado...), mas achei o título meio que inevitável!

Mas vamos ao que interessa, começando pelo nosso vôo. Houve quem comentou que com o preço que pagamos, nem água receberíamos. Ledo engano. As boas surpresas começaram ainda no aeroporto. Não sei porque cargas d'água, nos puseram no embarque prioritário, logo depois dos coitadinhos da executiva. Entramos no avião quase vazio e nos acomodamos com tranquilidade. Antes de servirem o jantar, uma aeromoça nos perguntou se era para nós mesmo uma refeição especial para diabéticos! Vejam só! O ponto negativo dessa etapa foi um insuportável "plim" que ficava apitando no avião o tempo todo. Quando você estava começando a dormir, lá vinha o "plim" e te acordava. Vá saber porque...


Terminal 4 de Barajas
Continuemos. Chegamos em Madrid no horário, a imigração foi tranquila, quase sem fila. O aeroporto de Barajas é muito grande e com uma arquitetura bem interessante, que nos deixou com vontade de conhecer a Espanha. Pouco mais de duas horas depois estávamos mais uma vez embarcando "preferencialmente" para Roma. Chegamos em Fiumicino também no horário! Próximo passo: pegar o ônibus para o centro. Por 5 euros cada um, em menos de uma hora estávamos no centro (Estação Termini). Próximo passo, comprar um macetão: o Roma Pass. Vale por 3 dias, com direito a ilimitadas viagens de metro ou ônibus, e ainda acesso a duas "atrações" sem pagar - a partir da terceira, paga-se a metade. Comprado o Roma Pass, pegamos um táxi, com um motorista tipo italiano de piada: guiando feito louco, sem cinto, xingando e gesticulando o tempo todo e ouvindo Rap. Foi uma aventura, mas chegamos inteiros no Residenze dei Quiriti, o mesmo hotel em que já tínhamos ficado da outra vez. Continua o mesmo: nem bom, nem ruim, compatível com o preço - hotel é muito caro em Roma.
Dentro dos Museus do Vaticano
Duas horas da tarde, conforme o planejado, saímos em direção ao Vaticano. No meio do caminho almoçamos em um restaurante barato mas meia boca, que nem vale a pena lembrar do nome. Logo depois estávamos no saguão de entrada dos Museus do Vaticano. Sem fila, tudo tranquilo. Mas isso foi só a primeira impressão. Para quem não sabe, você vai nos Museus do Vaticano, mas a principal atração é a Capela Sistina, onde você chega depois de passar por várias salas com uma infinidade de "atrações". Aí é que começou o problema (????!!!! - nem tanto - estou meio hiperbólico hoje). Era MUITA gente lá dentro. Excursões sem fim (japas, chinas, alemães, americanos, russos...). O problema da excursão é que eles andam e param em manada, o que dificulta muito a movimentação dos comuns dos mortais. Mas tudo bem, deu para aproveitar bem o caminho. As salas de Rafael continuam extasiantes (e porque não estariam?), os tetos sensacionais... tudo sensacional!

Chegamos enfim à Capela Sistina. Essa é uma das coisas que num mundo ideal todo ser humano deveria ter o direito de ver pelo menos uma vez na vida. Sem palavras. Depois de um bom tempo em êxtase lá dentro e sem conseguir um lugar para sentar, saímos - ainda tinha muita sala para visitar. Até uma atração inusitada achamos: existe dentro do Vaticano um espaço dedicado aos carros que já transportaram papas, desde carruagens puxadas a cavalo, até o papamóvel onde João Paulo II sofreu o atentado.

Saímos de lá por volta de 17:30. Será que dá tempo de visitar a Basílica? Estará aberta ainda? Sim, estava. Depois de mais boca aberta na frente da Madonna de Michelangelo, de queixo caído pelo Baldaquino de Belinni, e mais alguns "oh's" de admiração, pegamos o rumo do hotel.


Breve descansada e saímos para jantar. Uma boa pizza num restaurante aqui perto e antes das onze estávamos pondo o sono em dia.